Livro aberto dentro do metrô para os lados dos japoneses,
o bairro das lanternas -
São Joaquim e Liberdade.
Li umas linhas do mulato Cruz e Souza
poeta simbolista, filho de escravos alforriados.
Muito culto e educado , falava três línguas:
grego, latim, francês.
Cruz e Souza não combina com essa ambiente,
escadas rolantes com multidões e
trens refrigerados e barulhinhos esquisitos.
E vamos seguindo nos trilhos atrás de Núbia.
Cruz e Souza é um poeta simbolista, reconhecido
na sua época por jornalistas e escritores como o Dante Negro.
-  viveu de 1861-1898,
 e seu livro mais conhecido de poemas é Broquéis.

Este trecho é de um diário:

"No entanto, amar essa carne deliciosa de Núbia, ansiar por possuí-la, não constitui jamais sensação exótica, excentricidade, fetichismo, aspiração de um ideal triste ou obtuso, gozo efêmero, afinal, de naturezas amorfas e doentias . Sentí-la como um desejo que domina e arrasta, querê-la no afeto, para fecundá-lo e flori-lo, como uma semente d'ouro germinando em terreno fértil, é querer possuí-la para a arte, tê-la como uma página viva, veemente, da paixão humana, vibrando e cantando o amor impulsivo e franco, natural, espontâneo, como uma obra d'arte deve vibrar e cantar espontaneamente.
Núbia lembra, esquisita e rara,
esse lindo âmbar negro, azeviche da Islândia."
Estação República ?
Até esqueço onde estou, alegria.



* Imagem via  Nagoia

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| Por Prensada | terça-feira, 12 de abril de 2011 | 17:25.