Vamos ver como você se vira
sem lua, sem cais iluminando,
sem o barulho do mar,
sem o cheiro de maresia.
Não verá a trilha que corta a mata
e chega na praia.

Já é noite
o tempo passou
e ficamos por aqui para enfrentar o pior.
Agora vem o silêncio e
a madrugada.
Não há barulho de sapos e grilos,
mas tem o ruído dos motores que passam ao longe.


Os vigias fecham o casaco na rua
e procuram um lugar para abrigarem-se.
Vem chuva grossa, talvez , tempestade.

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| Por Prensada | quarta-feira, 15 de outubro de 2008 | 21:54.





Qual métrica, qual abandono, qual desejo inoportuno e desajeitado: sou só fantasia.
Estilo , fluência , não aprendi. É tudo viagem mesmo.
E tento compor um cenário para ficar muito perto de você.
Vou pela trilha da estradinha que desaba no mar e nas pedras.
E escrevo enquanto ando. E , é muito fácil assim, chegar perto da
tua pele.
Componho duas folhas escritas com letra normal :
falo do estalo das ondas nas pedras, do farfalhar do vento nas copas altas,
do rumor oceânico que entontece e nos põe em outra dimensão.
E também escrevo garranchos, desanimada porque
por vezes sua imagem se desvanece.

Palavras que vem feito uma revoada de gaivotas e cardumes nadam
por perto.
Espumas levam toda a fantasia, sinto teu cheiro.
Não quero sofrer mais, só caminho e fico
cada vez mais perto da tua figura.

Conchas soltas ,
Carangueijinhos transparentes.
Cesta de vime e peixes,
Ostras frescas no gelo.
Cerveja na quitanda.

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Escurece lento e com a respiração calma
acredito que tudo vai bem;
porque a lua no céu tá grávida.
Enorme.










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| Por Prensada | | 13:18.



Pois se só pudéssemos nos virar, arranjar nossas vidas, nossas almas onde houvesse um pequeno cais , embarcadouro e mar. Junto das montanhas , onde a Lua fica mais próxima ?
Um mundo onde o oceano e a mata se amam.
E se virássemos as costas para tudo e o sentido da vida fosse apenas o barulho da arrebentação. Na nossa casa , sem número e sem fechaduras , como dizia o poeta.
Viveríamos muito próximo do paraíso terrestre.
E lá eu segui o chamado: fui pela trilha da serra, com a mata Atlântica ainda exuberante.
Escalo cada pedra, colho uma flor pequena e vermelha , sou silêncio e maresia.
Misturo o sabor dos peixes com as frutinhas do caminho: pitangas ! .
Os pescadores já estão de volta e os peixes ainda brilham presos na rede: pescaram um cação imenso.

No fim do dia , a cachoeira reina e o céu transporta nuvens. Um bando de borboletas passam por mim. Pensei assim : as borboletas vestem roupas diferentes cada dia.Com esse bichos não existe tédio.

"Cuándo lee la mariposa lo que vuela escrito en sus alas ?"

Quando chega à noite, a poltrona confortável, o colo , o descanso.
Barulho de coruja e grilo. Sua pele quente armazena todo o sol do dia.

O céu todo vestido de estrêlas. Avisto um planêta: Vênus.


"Y qué palpitaba en la noche ?
eran planetas o herraduras ?"



* trechos de poemas de Pablo Neruda,
Livro das Perguntas.


* wasabifish photo

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| Por Prensada | | 09:45.