
Em algumas noites dá vontade de pegar a Lua com mão
e trazê-la prá bem perto
e tocá-la de leve.
Fazer amor com a Lua, comer a Lua e beber vinho na janela.
A Lua não é fria, tem o calor da pele da gente.
E ela vem, imensa prá dentro de mim.
Gosto de trepar com a Lua quando ela pede.
A Lua é minha querida.
Eu gosto da noite e olhar o céu de São Paulo.
A noite aqui não tem silêncio;
mas se você olha o céu não vê nada
apenas uma bruma espessa
e aquela paisagem familiar de luzinhas piscando
prá todo lado.
Uma estrelinha ali e outra acolá. Um avião.
Um helicóptero.
Mas quando tem aquelas Luas feitas prá arrepiar
a pele,
dá muita vontade.
A Lua é minha querida.
( ela podia ter um nome, Angelina Jolie , Joana, Maria Luiza, Janaína , Yemanjá )
prá eu dizer alguma bobagem no seu ouvido ).
no sonho, quando dormias ?
Onde vão as coisas do sonho ?
Vão para o sonho dos outros ?
* Livro das Perguntas, Pablo Neruda
* Imagem via overflowing
Marcadores: devaneios

Ele é meio cafajeste e não é politicamente correto.
Adoro !
* boy and girl via overflowing
Marcadores: devaneios


Descansa no meu ombro
me abraça
e ficaremos horas,
em silêncio
na parada da viagem.
Trilha pela rota mais dura -
o jipe vive quebrando no acostamento da estrada.
Com dores e desolados seguimos,
porque a paisagem é bonita.
E afinal , quando olhamos no espelho ,
constatando aquela imagem
o que vemos ?
Um poço sem fundo, em espiral até o ponto final do sonho.
Aquele lugar que você já viu em algum filme: um final tristíssimo
ou aquele uau de delícia, tesão e arrebatamento.
Muito livre e solta e por vezes algemada à loucura coletiva.
Escultura de asa de anjo , versos escritos em caneta tinteiro, Borges, poemas de Sophia, Walt Whitman, Leminski e Carpinejar. E viagens de trem e no balão do refinado Phileas Fogg por 80 dias. Latitudes e longitudes , vento e sol escaldante. Um porre de vinho espumante daqueles baratinhos.
Judeus com seus versículos, Torá e estradas sem fim. Cervejas escuras e geladas.
De Portugal antiga não sei se sou judia ou árabe.O Cine Alhambra era meu cinema preferido lá na praia. Passava filmes europeus, chineses, brasileiros, japoneses e o underground americano.
Antes dele, tinha o sensacional Cinema 1 , em frente à praia, do legendário francês Maurice Legeard. Foi lá que eu me apaixonei. Santos era bacana antigamente, tinha gente mais febril e pilhada. Araquém Alcantâra, outro puta fotógrafo - que tinha piti na redação do jornal e subia em cima da mesa. Lane Valiengo também era o cara. Nei Latorraca, Rubens Ewald Filho,Plinio Marcos. Minha cabeça anda ruim e perdi um monte de gente boa. Desculpe.
Agora, a cidade é uma bosta que não afunda.
Já te falei que acho que vi uma Santa vindo à galope na minha direção ?
Tinta para pintar letras chinesas, contos de sacanagem, Mafalda e
Calvin, camarão pistola no alho e óleo ; passaporte novo para fugir prá não sei onde ;
Roupas de sultão de Brunei , um coral de freiras francesas e filme antigos.
Tarzan e Jane, Buster Keaton e King Kong. Forte Apache.
Batman Pow ! Aquele ingênuo Batman da TV. Aquela cestinha de kratacong do Mestiço (ahahaha....não sei escrever o nome do prato ) mas é super prá tomar com cerveja bacana.
Cheiro de lavanderia , brincos de camelô , a biografia de Goya e
Velazquez . A guitarra vermelha e uma fotografia de tirar o fôlego. Abacaxi cortado no carrinho do camelô. Gostar de tomar sol, prá pele arder.
Andaluzia, Málaga, Sevilha. Mouros correm no meu sangue.
No mergulho das pedras cobertas de limo espesso: sal e silêncio.
E olha só: os corais de águas profundas,
são demais de lindos !
Cuidado com eles. São tão frágeis que só de nadar à volta deles,
podemos desfazê-los.
O abraço, o afago e a carícia mais íntima vai além,
penetra na madrepérola , forma um grande coral prateado,
rosa e turqueza.
( Um Natal se foi, sem estrêla-guia,
fim de um tempo de calendário católico.
Rasgamos tudo e vamos em frente: vida.
Êfemera.
Nem deu tempo prá respirar.
Vamos lá, caímos no começo.
Viu só ?
assim abraçadas,
eu posso te contar um monte de histórias. )
Marcadores: devaneios

- A vida aqui tá bem sossegada, mas lá fora a coisa tá bem complicada ! É a crise.
- Bah, você é um pessimista, meu caro...Veja bem, temos tudo arrumadinho aqui.
Até o ar é respirável. Ela regula a bomba de oxigênio sempre. Limpa tudo com uma escova.Um capricho
- Hoje eu ouvi a conversa dela no telefone. Já percebeu que eles só falam frases feitas ?
- Frases feitas, meu caro.
- É um tal de "começar de novo", "passar uma borracha no passado" e a melhor de todas - " há que olhar em frente e tocar a bola...Sempre falam de futebol ! Como se a vida fosse uma pelada.
- É que o ano está acabando. Ficam com falta de vocabulário.
Todo mundo cansado e eu acredito que começar de novo é sempre bom.
- Ah, até você com essa lenga-lenga ?
- Lenga- lenga, não ouvia esse termo desde que meu avô-peixe morreu.
- Ontem, ela teve uma conversa dura no telefone, e depois ficou muito silenciosa. Tomou três cervejas , desligou o som e foi dormir. Apagou até a luz, ficamos no escuro.
- Será que é depressão ?
- Que nada. Estava com raiva e despejou aquela enxurrada de frases que a gente já ouviu:
Seja o que Deus quiser, nunca é tarde prá mudar, é hora de dar um rumo na vida........blá,blá,blá.
- E os palavrões ? A mulher fala tanto palavrão que eu fico roxo e sou amarelo !
- Ela escreveu com batom no vidro do banheiro com batom : Começo , meio e fim !
- Credo ! o que isso significa ?
- Será que ela vai desativar o aquário ? Vai por um fim nesse paraíso ? O que será de nós ?
- Meu caro, não fique com medo porque escreveu embaixo: o medo é falta de fé .
- Mais uma frase feita, que chateação.
- Acho que ela precisa de algum estímulo, não vai matar ninguém.
- Essa mulher ainda vai nos deixar loucos. Precisamos fazer uma reunião, chame todos para traçarmos a melhor forma de conviver com essa criatura. Mas eu tenho esperança que ela não nos mate. Ela sempre nos alimenta nas horas certas. Nunca jogou fósforos usados aqui dentro d'água. O filtro funciona super bem. E comprou algumas plantinhas novas.
- Faremos uma corrente de pensamento positivo. Dizem que funciona.
- Apoiado ! Vamos nos unir , a união faz a força.
- Ah, viu só. Até você só fala esse chavões. Não aguento mais ...
- Acho que o mundo foi criado por um Deus que adora criar essas frases prá dar esperança as suas criaturas, meu caro.
- Tipo um Pavlov de humanos. Esperança ....palavra estranha. Tenho que seja uma coisa subjetiva , mas que brota com muita força. Acho que é tipo uma semente.
- Gostaria que o mundo dos humanos fosse igual a esse paraíso que ela criou prá nós.
- Se ela é capaz de deixar tudo legal aqui, ela pode deixar o seu mundo legal também.
- Sim, esse é ponto.
- Queria poder escrever no vidro do aquário uma mensagem para ela:
2009, Ano de Renascer.
Marcadores: devaneios

Não tem crise aqui, viu ? Tá tudo em ordem , caminhamos para o progresso e quem fala mal do governo é a "elite ressentida" que ainda está puta porque o meu governo deu certo e tá todo mundo feliz. É só perguntar prá qualquer um na rua, todos serão unânimes em dizer em coro:
"Somos felizes, estamos super bem". Então, viu só ? São esses cretinos que sempre estiveram por cima da carne-seca , ressentidos , intelectuais , essa classe média alta bossal que nunca viu o sertão nordestino e a seca. Não caminhou pela pobreza e amassou barro.
Tá todo mundo bem e feliz. Tá todo mundo comprando presentes prá toda a família.
Com trezentos contos dá prá comprar tudinho lá na 25 de Março.
Todo mundo com café da manhã , almoço e janta !
E tem gente que conseguiu comprar o primeiro carro e computador.
Não tem governo melhor que o meu não !
Ninguém é melhor que eu e meu governo.
Escrevam o que eu estou falando. Aqui não tem crise não. Tá todo mundo trabalhando , produzindo e eu tô muito feliz . Todo mundo me entende , mesmo que eu não tenha muita cultura. Eu sou o exemplo de vitória. Eu venci. Vejam só, não tenho mais aquela cara de pau-de-arara. Tenho cara de rico. Meu governo é rico porque tá dando certo.
Tá todo mundo com banquinha de contrabando , vendendo e faturando.
Tá todo mundo rindo porque ninguém morreu hoje de bala perdida.
Tá todo mundo rindo porque o meu Ibope tá batendo nos 80%. O que quer dizer isso:
que todo mundo me ama. Sou amado , sou o melhor , sou Jesus, sou Buda e Getúlio Vargas.
Quem não quiser escrever, ouça: meu governo é melhor porque tá todo mundo feliz.
Ninguém pode falar mal de mim , do meu staff e companheiros de trabalho.
Ninguém aqui tem rabo preso. Somos honestos e ninguém faz falcatrua. O que falam dos meus companheiros é mentira, ninguém provou nada.
Fizemos uma revolução nesse país , que nunca atingiu patamares tão bons de produção e exportação. Ficam falando que eu peguei um bom momento histórico do mundo nos negócios, mas é balela. Fui eu que fiz essa revolução.
Quem contestar é mentiroso. Posso provar: sou 80% aprovação.
* Foto Rubens Flores
Marcadores: devaneios

Era uma blogueira - êta palavrinha feia - tão consciente do seu dever , que vivia atrás de idéias, palavras e sonhos prá entreter leitores que não conseguia ver. Paranóica de tudo, começou a viver seguindo gentes pela rua Maria Antonia, fotografar e perseguir transeuntes à cata de assuntos de interesse variado. Virou uma espiã ao contrário, de ponta à cabeça - bloquinho de notas , lápis apontado e sorriso maroto. Nem Daniel Craig conseguia achá-la , porque entretida na sua função de blogueira noviça, começou a transformar-se num Zelig camaleão. Era muito melhor que Daniel Craig porque não dava um tiro em ninguém. Ora planta fícus, ora estátua , ora travestia-se de vendedora de incenso na esquina. Ontem, num arroubo de responsabilidade social , travestiu-se de copo gigante de milk-shake, Mr. Milk , uma bebida intragável.
Gostava de meter-se na confusão da Ladeira Porto Geral em clima de natal de inundação e fim do mundo. Fotografou pro blog o momento final da humanidade comendo uma fatia de abacaxi gelado na banca do baiano na rua Santa Ifigênia. A famosa espiã blogueira rendeu-se ao consumo desenfreado de produtos genéricos. Quando o Rei do Lero-Lero soube de suas qualidades de fanfarrona e dissimulada, convidou-a para um churrasco no Torto.
A blogueira foi arrastada, porque não gosta de sindicalistas, mas divertiu-se com os arapongas de lá, todos infiltrados nas tetas do Rainha de Pelúcia, Marisa Letícia.
* Daniel Craig é ruim demais
* Zelig , filme de Woody Allen
* foto Brtlv
Marcadores: devaneios

Talvez a salvação do dia seja ver uma fresta do mar pela janela.
Aqui não tem maresia e mar bravio.
Quando eu podia olhar o mar, dava de ombros e gritava: tédio !
O mar não salva, as ondas são breves e a alma vai pela rua de encontro a multidão.
Cruzo com o Capitão Gancho dos meus sonhos na esquina imunda.
Ele, imperturbável , encosta a lâmina de sua mão esquerda do meu pescoço e sangro.
Sorri alucinado e berra: agora sim , pode sonhar à vontade !
E me retalha.
Ouço meu coração bater fora do ritmo normal, é sempre assim, quando morro.
Mas , no meu instinto primário de sobrevivência luto e sobrevivo ao corte.
Sinto aquele resíduo de imortalidade.
Sou duas, três , milhões de Patricias.
Desfigurada , navego em sangue, esperança e lágrimas.
Eu e o filhote da baleia ficamos inertes na praia.
Todos pensam que morremos.
Não , apenas sonhamos.
* The Harpooning the wooly whale,
Michael Wanderlmaier
Marcadores: devaneios

Um blog que toma chá com limão e acha que Dostoieviski era exibido. Gostava de falar dele de forma exaltada e era inteligentíssimo. Ele falava isso bem alto.
Dostoeiviski era ruivo e ossudo.Tinha um cabelos ralos e mãos enormes.Falava diversas línguas.
Há dias estou olhando para uma pintura do russo que está na cabeceira da minha cama - e toda vez que observo a foto, mas ele ganha contornos humanos e profundos.Que fico tentando advinhar como ele se comportava em sociedade e na intimidade.Então, viajo e percebo que ele era um homem que sofreu na pele todas grandes provas: banido,preso,doente,excentrico e voz de um povo.
É como se Dostoieviski morasse comigo agora.Talvez, alguns dos meus hábitos tenham mudado com essa convivência.Vou começar a tomar nota de algumas alterações na minha rotina.Aquelas coisas esquisitas,como ir tomar vodca pura na padaria da esquina ou uma súbita vontade de uma sopa de beterrabas com muitos condimentos e temperos.
Marcadores: devaneios

a barra pesou demais , né ?
quer mudar tudo mas não consegue sair do seu passo ?
quer chorar ou esmurrar alguém ?
ou só quer rir sem parar ?
não fique triste, a ferida ainda não fechou.
demora para recompor as células.
nossas feridas são seculares
poderiam ser exibidas em feiras e altares.
são bem doloridas,
aqueles arranhões e tormentos
que brotam da pele.
Escondidos que estão de repente, saltam
na cara de todos.
Aquelas brutos cortes,
talhos largos , profundos como canyons.
Sangue exposto, braveza. Ferida feia que dói.
Será que gostamos de lamber esses arranhões,
como gatos ?
Desejo paz na noite e no dia;
dança indiana, respiração profunda,
riso largo e uma onda de amor -
porque tudo está insuportável.
* Eric Fischl painting, Dancer
Marcadores: devaneios

Confesso que senti falta. Confesso que ela fez falta nessa noite.
Não teve estrêlas : vento de arrastar folhas e lixo da rua.
Sinal de chuva forte.
Aí , eu assusto com os trovões e o temporal.
Lembrei das tempestadas na praia.
O clarão brilhou dentro do quarto e senti calor.
Quero a tua mão. Tua mão no meu corpo.
Ela me perturba, eu confesso. Perturba à noite quando penso
na impossibilidade de navegar por lá.
( estrelinha do mar ou estrêla do céu... pode dar um texto isso ...)
Não tem estrêlas hoje. Mas há relâmpagos, clarões,
chuva intensa e amor.
* SP, relâmpago na Vila Mariana
Marcadores: devaneios

Tô nem aí prá essa crise econômica planetária. Fim do mundo? Bah...que nada. Wall Street e seu touro dourado derretem na fornalha da ganância, mas logo estarão de novo na bonança. Esse deus dos dólares é um sacana ! O fim do mundo é outro , quando não há conexão alguma com o outro. Aquele que passa por você na rua e você quer que ele se foda. Esse olhar arrogante de quem não quer nada , só sacanear , enganar e tripudiar. É aquele fingido que pede seu voto e depois te expele feito cocô no rio Tietê.
No vento dessa virtualidade global , que os mercados e finanças enlouqueceram, eu vejo outra opção. O planeta se transforma num cérebro só, uma rede neural . Essa rede cerebral eletrônica tem muito haver com a filosofia budista, que tudo afeta todo mundo. É nesse mundo que mergulhamos com os meios de comunicação instantâneos. Essa rede neural vai dar em genialidade ( um novo paradigma ) ou na bancarrota total da Humanidade.
Precisamos de qualidade de pensamentos, ações e porque a tendência é sentirmos cada vez mais as mazelas de seres longínquos. Saigon, Praga, Gdanski, Sidney, São Paulo, Santiago e Natal. Tudo vai ser uma coisa só, planeta terra, um grande coração doendo.
* Jasper Johns , Flag , 1954 , Moma, NY
Marcadores: devaneios

Peço aos deuses e poetas que povoam o fogo, a água, a terra , o ar ou Marte que me socorram. A mão enluvada já está próxima da gengiva dolorida e sinto a agulha entrando quase no osso. Em segundos a droga começará a agir e adormecer o lado esquerdo da boca e lembro do meu pai. Dor no lado esquerdo do corpo simboliza "pai". Procuro afastá-lo do pensamento. E foco na aridez do deserto da folha em branco e do meu cérebro sem nenhuma imaginação. Fico catando os poetas que já li. Faço uma lista, que venham logo. Que se aproximem da cadeira do dentista e podem fazer tumulto. Não me importo. Vou estar anestesiada mesmo. Podem balançar as persianas, fazer estrondo com as portas, bagunçar as revistas da recepção e arrastar cadeiras. Preciso de vocês porque estou zerada. Está tudo aberto, inclusive a fresta da janela , por onde entra um ar gelado.
Entrem, por favor, está tudo aberto. Inclusive minha boca.
Poetas malditos, inocentes ou malucos. Artistas que viraram fantasmas com roupas bufantes ou andrajos. Palhaços da ribalta, perseguidores do sublime e da eterna dúvida. Poetas da beleza, das musas, do amor e do gozo. Onde estão vocês ? Artistas do álcool e do sacrifício. Escritores que se atiram do despenhadeiro sorrindo para o éter, dopados de sentimentos e sonhos. Poetas que escrevem no ar e nas paredes. Marques de Sade ? Seria interessante vê-lo borrando essa parede limpinha... Poetas modernos, movidos a LSD , café e uisque barato. Poetas do metrô lotado, escritores de guardanapos que mergulham no conhaque do fim da noite.
Recitadores e contadores de histórias, clowns da megacidade.
Caçadores da palavra perdida.
Vem a dormência na boca e relaxo, anestesiada até o topo do crânio. A droga percorre o tecido, o sangue, mata o nervo. Quero uma caneta e papel.
Marcadores: devaneios

Al principo sos muy fría pero con el paso de los minutos te vas calentando y formando parte de todo en mi vida.
Patricia, la rubia, así te dicen, la verdad que alteras mi sistema nervioso central al solo rato de estar con vos, y por tu culpa me rió, lloro, disfruto... sos mucho en mi vida, mi compañera fiel, siempre estuviste, estas y estarás y no cambio por nada esa felicidad que me recorre cuando te siento en mis labios....
ahahahaha !
Marcadores: devaneios

Queria ser um desses personagens de Agatha Christie. Lembram dos livros de crimes da dama inglesa ? Os personagens apareciam em lugares fabulosos: o Orient Express, aquele trem-hotel sobre trilhos e nos oceanos. Os transatlânticos entre guerras que tinham aquele ar retrô. Viajavam para o Egito ou Mesopotâmia, livres de ataques de terroristas. Ah, hoje em dia o Santo Alcorão é tão vilipendiado , tanto quanto a Bíblia Sagrada. E também , os aristocratas surgiam embecados, na Riviera Francesa e em casas de campo inglesas. Com aqueles gramados verdinhos, deslumbrantes. Lembrei de uma cena do filme Lady Chaterley: o guarda-caças e sua patroa rica que brincam num gramado sob uma chuva torrencial. Correm nús , gritam e se amam com um entusiamos delicioso. Bela cena de amor e sensualidade, numa cama de folhas.
E também tinham os mortos de Agatha, que eram o assunto principal das tramas. Corpos assassinados de formas tortuosas. Os suspeitos ficavam à beira de piscinas , bebendo martinís e obrigados a encarar Miss Marple ou o detetive Poirot. A velha escritora criava altas viagens.
Eu aparecia morta no banheiro, dentro de uma banheira. Só não lembro o título do livro. Acho essas cenas de crimes entre azulejos e banheiras impactantes. Fico arrepiada só de imaginar. Eu era mulher de um aristocrata inglês, falido, que deseja se apropriar dos meus bens. O escroque tentou obrigar-me a assinar uma papelada e eu, desconfiada, recusei. Ele ficou enfurecido e matou-me na banheira, com dois tiros. Mas fez tudo direitinho, ocultou a arma e limpou toda a cena. Sumiu com alguns objetos pessoais e jóias da caixinha, prá sugerir um roubo.
Depois foi jogar golf no clube, com o cabelo impecável , fumando um cigarro.
E eu lá, mortinha, afundada numa piscina vermelha.
Na verdade , não queria morrer: preferia ser o mordomo, que tentava seduzir a nova arrumadeira. Os dois estavam numa espécie de estufa, jardim de inverno, e ele pedia que ela abrisse o corpete. A jovem inexperiente cedeu. O velhaco queria ver os seus seios jovens, beliscar seus mamilos e forçar um encontro mais íntimo.
Nem ouviu os tiros.
Marcadores: devaneios

O hipnotizador desistiu de fazer eu olhar prá trás. Não deu certo, não consegui encontrar o lance do amor, que eu acho que é lá detrás. Não consigo vê-lo aqui no momento. Amor sempre é um drama e a gente fica batendo na mesma tecla. Não sei o que é amor. É uma palavra deliciosa , mas está escondida debaixo da cama. Experimentei, de certo , alguns momentos que foram de amor...aqueles que nos deixam sorrindo até hoje.
O pianista leva mais fácil porque saber percorrer todas as teclas e fazer música delas. O mágico perdeu seu tempo em ler o meu passado, meu passado é uma folha de papel voando nesse vento quente - inverno esquisito.
O vendedor de frutas cortou toras douradas de abacaxi agorinha e vendeu tudo. A campainha tocou e eu não quis abrir prá pegar a correspondência. Deixa prá lá , estou afim de ficar aqui , com o Jorge Ben ( antes de mudar de nome ) , bem sacudido e sensual.
Não quero ser egoísta, mas sou nesse momento.
Moon piano, hipnotizador , pianista ,
músico , mágico,
vai anoitecer e eu vou prá rua.
Marcadores: devaneios

Eu confessei os meus pecados na sala
Eu tinha um sorriso triste
Eu tinha um fiapo de voz
Tu tinhas aqueles olhos de chuva no mar
E eles estavam molhados e doloridos
Os olhos do mar arderam
Como se o mundo acabasse ali na sala.
E eu, sempre do lado escuro da Lua,
e não fui adiante com receio de choques
de prótons ( ou neutrons ? ).
E para não perder o hábito, o lado
oculto da Lua venceu.
Jim Morrison descabelado na sala debocha de nós;
implora mais versos, música , vinho e encontros suados.
Dois satélites em rota confusa.
* Foto, Annie Lebovitz - da célebre foto múltipla ( que eu tenho imensa aqui na sala do meu lar) Comprei o poster em Amd há 15 anos e a d o r o . Um deus muito humano.
Marcadores: devaneios

Confúcio disse,
"Os que têm a mesma luz atraem-se mutuamente".
Ouvi aquela história milenar, que no segundo ano do Reino de Chienho ( 147 D.C. ) , na quarta lua ( cheia ) , dia de Tinghai ( deus da região ) , a dama Wang da Corte das Servidoras da Rainha , dirigiu-se afobada aos aposentos da Camarista Chao, com uma ordem real. Dizia a ordem que a Rainha queria escolher uma jovem para ocupar seu leito, enquanto o marido, o Rei Chienho , fazia uma excursão de guerra ao Estado de Shang. Ficaria meses solitária e queria a companhia de uma jovem. Não queria um homem, porque não desejava semen masculino. Era uma prática habitual , quando os homens e samurais partiam para suas jornadas guerreiras ,que as damas da corte se encontrassem para trocar intimidades e passarem longas noites. Quando seus guerreiros retornavam fadigados , as mulheres os recebiam de forma exuberante , porque elas se compraziam entre elas e tinham muito prazer.
Na Corte das Servidoras da Rainha , entre dezenas de jovens, foi escolhida Ying, por ser a mais educada, comportada, bonita e servil das jovens. Depois de mandar sair todas as meninas, só permaneceram no Grande Salão Norte a Camareira Real e a jovem escolhida. A Rainha entrou para olhar a jovem Ying. Naquela ocasião, a luz do sol atravessou as folhas da grande janela e brilhou sobre o rosto de Ying, que irradiou uma cintilação semelhante a de uma nuvem matinal, ou da neve.
Ying evitava olhar a Rainha e manteve-se com olhos baixos e subservientes. Ondas de luz vinham da janela e confundiam-se com a beleza virginal da jovem. Tinha lábios vermelhos e dentes brancos, orelha pequenas e nariz perfeito. As bochechas eram cheias e o queixo bem conformado, tudo na devida proporção.
A Rainha ficou satisfeita e achou-a uma pintura do artista Chiao. Pediu a Camareira Real que afrouxa-se as roupas da jovem , e Ying enrubesceu totalmente. A Rainha aproximou-se e com delicadeza sussurrou alguma coisa , que depois soube-se, eram palavras confortadoras. A jovem olhou rapidamente os olhos da Rainha e a luz da janela iluminou a face real. As duas se viram num relance e foi tudo.
Ying voltou a posição servil e a Camareira Real desatou-lhe o nó do cinto e abriu-se o quimono branco de cetim. A Rainha sentiu um perfume delicado e sorriu. Ela tinha sido preparada em sua higiene para servir à Rainha. Sua pele era branca e fina, tão macia que a mão da Rainha escorregou ao tocá-la. A barriga era arredondada e combinava perfeitamente com os quadris. Seus seios se empinavam e o umbigo tinha a profundidade o bastante para que nele coubesse uma pérola média. Deliciada com o que via na sua frente, a Rainha tornou a sorrir com admiração e aprovação. O monte de Vênus subia suavemente. Abriu-lhe as coxas e viu que a vulva era de um vermelho brilhante , enquanto os lábios menores se salientavam de leve. Depois da rápida inspeção, a Rainha ordenou que a Camareira real se retirasse.
A Rainha e a jovem Ying se dirigiram aos aposentos reais. A jovem, sem a Rainha esboçar palavra , abriu uma das janelas ricamente decoradas e uma luz intensa penetrou na penumbra do amplo e riquíssimo quarto. As duas mulheres ficaram frente à frente, e novamente aquela luz irradiante pousou nas mulheres.
A jovem semi-nua e a Rainha se olharam com verdadeira curiosidade e admiração.
Com desenvoltura, a Rainha serviu-se de um cálice de vinho e pegou uma das mãos da jovem e levou-a delicadamente para a cama. Soltou todas as presilhas do cabelo da jovem sorrindo o tempo todo.
A tensão sexual chegou ao máximo, quando a Rainha num gesto brusco, beijou-a nos lábios e colocou a língua em sua boca. E sussurrou :" É assim que se faz, vou te ensinar a beijar, minha virgem".
A jovem entregou-se completamente as carícias do corpo e aos jogos que a Rainha propunha. Ora, eram beijos deliciosos nos seios , no ventre , na vagina e na boca. Ora, a Rainha tornava-se mais bruta ( arranhou suas costas ) e mordiscava o bico dos seus seios deixando-os doloridos. Rendida, a jovem contorcia-se e gritava , porque as ondas de prazer iam e vinham como o gigantesco Lago de Kiangsu. A jovem soltou-se nos braços da Rainha e seus olhos encontraram-se de verdade e profundamente. Aí Ying percebeu que estava perdida para sempre: a Rainha seria sempre a sua dona.
A Rainha , excitada demais com a entrega da jovem, desvirginou-a totalmente, da forma mais enlouquecedora: com um falo de pele de cordeiro atado a cintura, a Rainha penetrou a vagina de Ying e possuiu-a.
No meio do gozo , algum algumas poucas gotas de sangue respingaram nos branquíssimos lençóis reais. Depois daquele embate dos deuses , a Rainha abandonou-se na cama. Ying serviu-a com mais uma taça de vinho. A Rainha olhou-a com atenção e apreciou seu corpo alvíssimo e tocou com delicadeza na sua vulva molhada. Em seguida olhou a janela e disse:
Será um Inverno bom, sem muita chuva , apenas neve.
Espiou o corpo de Ying , que estava recostada nos travesseiros e sentiu o cheiro de sua pele suada , com um leve perfume de lavanda, colhida na região de Xieng. E sorriu deliciada. Não sentiria falta do Rei. Serviu-se de mais vinho, queria fumar ópio para dormir um pouco.
* Inspirado em Lyn Yutang, que li há muitos anos,
livro super-antigo, recolhi os nomes chineses ,
e o ritmo de escrever com solenidade.
Marcadores: devaneios

então, só estou ligada nesse som que há duas horas estou rolando na minha vitrola virtual. não dá prá abrir mão de certas coisas , e as vezes só consigo ouvir blues ou talvez um rock pesado.
coisas inacreditáveis de tão jurássicas. abismos , onde os peixes tem um olho só e cores bizarras. estrêlas, essas músicas viajaram pelo espaço e continuam aqui dentro do peito;
é assombroso você mergulhar tão fundo
e aquela urgência de chegar não sei onde, e dançar até o amanhecer.
é bom eu não me prolongar.
Estou me estendendo de propósito, para chegar até a exaustão do fim do texto.
Chove um pouco e sinto um vento frio que circula por aqui ;
entrou de certo pela fresta que sempre deixo aberta,
não gosto de coisas fechadas.
* tudo isso prá dizer que tô ouvindo um
som bacana demais =)
* Morrison Hotel,cd dos The Doors
Marcadores: devaneios

Viver é desenho na pele, no chão e no muro. Essas assinaturas anônimas que não compreedemos e nos surpreendem na rua. Grudadas nas paredes parecem cuspir na tua cara. Viver é uma tatuagem antiga, meio tosca e ingênua, que você fez não sabe bem porque . Viver é peregrinar por catedrais, avenidas e bares , atrás de um pouco de calor e de pessoas.
Entre livros , papéis amassados e poeira reina o cheiro de café fresco e o pão nosso.
Viver é duro e dói até o choro convulsivo.
Algumas frases e histórias e me desligo do mundo.
Viver é menos que as histórias, que os poemas que em prece descobrimos.
Viver é bem menos.
O silêncio da casa é quebrado
Pelo sino da igreja e rumor da Consolação ;
Gosto desse tempo de corre tão rápido ,
Que o relógio não acompanha mais.
nuvem chumbo e rosa no horizonte.
A secura penetra na carne feito cactus.
Uma dor coletiva, aquele parto com ferros.
( Irmãozinha, se está por aqui é prá sentir.)
Preciso de uma bebida forte, talvez , aquela pinga mineira.
Viver é um esboço de carvão,
à procura da grande Arte.
Começa a chover pesado e eu fico feliz.
* Pintura, Nelson Magalhães Filho
Marcadores: devaneios

